Bum!
O mundo está passando por uma constante e nítida transformação. Nada do que é hoje, permanece com toda a certeza amanhã. Movimentos de reivindicação se tornam cada vez mais recorrentes, pela sede de uma mudança imediata, pelo cansaço de corpos que estão exaustos de tanto esperar. Corpos que estão cansados de uma inércia constante, cansados de repressões e de executar ordens. A reivindicação se dá por essa explosão de uma enorme exaustão. Os tempos de hoje não são mais regados de paciência e conformismo, a nova Era que está se instalando, aos poucos, nesse mundo, traz consigo o potencial da transformação, o potencial de mentes ativas, pensantes e intolerantes. São corpos chutados, maltratados, dilacerados, reprimidos e torturados, gritando pela liberdade de escolher. Escolher dês de quem deve representar e governar um pais, tanto quanto o que cada qual quer ser e fazer. O que toda opressão quer é calar aquele que grita, aquele que manifesta ( manifestação no mais amplo sentido, entendida por simplesmente expor aquilo que pensa de formas diversas) , aquele que sente e se incomoda por não ser de se acomodar. O grito precisa ser um mergulho no seu próprio silêncio, uma quebra de barreiras entre a sua realidade interior, com a realidade exterior .
“Porque há o direito ao grito. Então eu grito” (Clarice Lispector – A Hora da Estrela).
A tão citada repressão, se dá de formas distintas e extremas. A repressão não se origina apenas de fora para dentro de um corpo ou de dentro para fora, mas também de dentro para dentro desse corpo. Com outras palavras, não são apenas os representantes de poder (representantes de poder compreendidos como toda e qualquer pessoa que tenha voz de ordem, de poder em cima de outra) que estipulam essa verdadeira prisão, mas os próprios seres humanos fazem isso com si, reprimindo ações e emoções, enganando-se e enganando o mundo para assim se tornarem algo que não são. Por que a falsidade se faz presente nas mais diversas realidades? Por que os seres humanos necessitam tanto de uma imagem, ignorando totalmente aquilo que ocorre em seu interior, aquilo que ele realmente é? O porque, eu não sei. O que sei é que isso não se originou nos tempos de hoje, apenas mostrando o quão desastrosa é essa situação. Em “A República” de Platão, a justiça é definida em um momento como um bem dos mais fortes, algo que traz status, muitos bens materiais e submissão daqueles mais fracos por acreditarem realmente que os mais fortes são justos e certos, enquanto a realidade é totalmente contraria. Esses poderosos são injustos, dando a entender que é muito melhor se viver na injustiça, pelo lado torto, do que pela justiça, que na sua mais pura essência, não tem ganho algum, apenas uma consciência limpa. Nos tempos de hoje, é tão aterrorizador pensar que muitas mentes ainda pensam de uma forma bem parecida. Aquele que deveria ser um exemplo de justiça e bondade, caminha na injustiça por de baixo do pano, e se mostra com um sorriso estampado nos dentes amarelados e com uma cara de pau lavada se dizendo justo e acolhedor daqueles considerados menores. São corpos transformados em escravos, sempre foram. É tão singela essa ação, que a maioria das pessoas não percebem o quanto são submetidas a injustiça e maldade dos outros. Essa ação é tão silenciosa, que inibe tudo o que pulsa dentro dessas pessoas, tornando-as como máquinas, não sentem, não falam, simplesmente obedecem e tocam a sua vida, que nem sua parece mais ser. Chegou a hora de se libertar.
Que os seres humanos façam jus a complexidade que são. Que os seres humanos sejam influenciados por aqueles que gritam por mudanças, e não por aqueles que só estampam um sorriso mascarado no rosto . Que esses seres humanos tomem consciência que o mundo é mutante, o universo é mutante e todos os corpos também são. A mudança não é só uma possibilidade, um plano B, mas sim uma realidade e ainda por cima constante. Que as fracos de espírito se tornem fortes pois as explosões estão para começar.








